O blog tem andado parado. É um facto. E para quem nos segue pode achar estranho.
Mas de facto a motivação tem sido pouca. Ao conversar com a A. e a B. os motivos são semelhantes. Andamos desanimadas, preocupadas, sem paciência, sejamos realistas. Isto é algo que adoramos fazer e fazemos mesmo por gosto - como podem ver não temos mil seguidoras nem tão pouco mais ou menos. Tenho mil coisas para vos falar e mostrar, mil reviews de produtos que sei que iriam adorar e que já vos mostrei aqui mas não consigo.
Todo o processo de mudança em que vou ter de abandonar o meu país e os meus custa imenso. Muito mesmo. Mais do que eu pensava que seria capaz de aguentar. E diga-se que sempre fui uma pessoa fria e nada de lamechices. Mas não é lamechice. Tem a ver com amar a nossa família, os nossos amigos, as pessoas que nos completam e que fazem desta vida, com os seus altos e baixos, algo muito melhor. Que tornam coisas simples em coisas espectaculares. Custa, dói, é como nos arrancarem pedaços de nós.
E detesto que assim tenha de ser. Claro que a escolha foi nossa, foi minha, mas não foi uma escolha fácil. Não foi uma escolha de ânimo leve. Tudo foi bem ponderado. E a desgraça em que vivemos levou o melhor de nós. Acho incrível que assim tenha de ser. Que tenha de me despedir de coisas maravilhosas que o meu berço me proporciona, para tentar ser alguém na vida e atingir os meus objectivos. Acho incrível deixar quem amo. Acho incrível que o destino, ou quiçá, mil competências pessoais de cada um de nós, ditem o que vai acontecer de seguida. Sinto-me revoltada nesta fase do campeonato. E por muito que me digam "é o melhor", não consigo deixar de me sentir assim. Pensar que "já não vou estar presente no jantar de anos da melhor amiga", "já não vou ver os meus irmãos a crescerem na escola e a tornarem-se pequenos génios", "já não vou ver as suas conquistas", que vou ser a irmã ausente, que teve de emigrar porque o país estava em crise, que vem cá de 2 em 2 meses (com muita sorte!), a filha que se foi e que deixa os pais com o coração apertado, um quarto vazio e sem vida que lá havia, a irmã chata e rabugenta. Vou ser apenas mais uma enfermeira portuguesa a trabalhar no Reino Unido, como centenas.
Eu sei que este sentimento vai mudar e que não me vou arrepender de ter tomado esta decisão. Mas nunca irá deixar de ser aquilo que mais me custou fazer, o que mais perdas me trouxe por muitos ganhos que possa ter.
E como eu costumo dizer...
Vamos lá ver qual será a desta vez.
Entretanto, é normal que isto ande em slow motion por aqui.
Love,
C.